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June 12 Confissões para a LuaConfissões para a Lua...
“O menina tão linda, tão bela que me conquistou com o brilho do seu olhar” (Netinho)
Estávamos eu e Ruah (meu amigo musaranho) sentados contemplando o brilho da noite e por ventura da Lua cheia. A noite estava com um ar diferente, destes de noite de apaixonados. O céu estava repleto de estrelas com algumas nuvens andando de um lado para outro, horas encobrindo a lua e a deixando de um jeito diferente, pois seu brilho se tornava mais bonito com as nuvens a encobrindo. Ruah se lembrou de uma estória que era mais ou menos assim: “Encontrei um rapaz, em uma dessas minhas viagens pelo mundo afora, que me falou que era apaixonado pela Lua, vê se pode, apaixonado pela Lua. Já tinha ouvido falar de pessoas que usam a lua como inspiração poética mas apaixonado de amar, ainda não. Mas ele me falou o seguinte, me explicando o que aconteceu para ele se desapaixonar pela sua musa, assim ele explicou para a lua: ‘Não tem coisa mais bela que você, o Lua...Nas noites faz o meu coração pular mais forte, cada vez que surge no horizonte, fico perdido, completamente louco de paixão. Durante o dia fico só te esperando aparecer mais nítida para contemplar sua beleza. Não importa que esteja minguante, cheia, crescente ou nova, o que me importa e te ver, cantar e falar com você, sentir o prazer de me iluminar com seu brilho eterno de amor. Mas hoje, depois de mais de dez anos, não venho cantar para você, ou falar coisas bonitas, queria lhe falar que me inspirasse outro amor. Oh Lua, me fizeste apaixonar por outra Lua..., quando vi o rosto dela banhado pelo seu brilho de lua cheia, meu pobre coração não resistiu, se entregou na hora de corpo e alma a esta outra Lua. Os olhos dela me enfeitiçaram, o brilho que saio deles me enfeitiçou. Por isso lua, nesta noite venho pedir sua benção, nesta noite de poetas e loucos, de lua cheia, peço que pelo nosso amor que existiu, e que sempre vai existir por você, ilumine nossas noites com seu brilho, e que conversa com seu irmão Sol para aquecer nossos dias, e suas amigas estrelas que te ajudem nas noites a encantar, que encantem cada vez mais nossos passos durante esta travessia na noite e no dia. Minha lua do céu, peço que não se magoe, mas a Lua...aqui da terra me conquistou, peço que seja nossa guia e alimente este amor que temos.’ Dito isso o rapaz cantou a ultima música para a lua do céu, depois disso passou a cantar e amar a Lua...aqui da terra”. Como sempre fiquei pensando nas histórias loucas que Ruah me conta, olhei para a noite. Pensei comigo, a lua hoje deve estar iluminando o amor dela e a Lua...aqui da terra, pois seu brilho esta cada vez mais apaixonante. Ficamos mais um pouco contemplando a noite e o silêncio, pedi a Ruah se a lua não tinha ficado furiosa com a perca do seu amor, Ruah me falou “menino, a lua do céu tem muitos amores e admiradores, e ela sempre fica feliz quando alguém encontra o seu amor, fica feliz quando uma pessoa encontra a lua dentro do olho de outra pessoa”. Fui dormir pensando na lua do céu e na Lua... da terra.
Elisandro Rodrigues Louco, poeta e profeta. Dia dos apaixonados e dos namorados. 12 de junho de 2006 – dia frio ótimo para passar com o amor e a paixão. Encontros que desencontramP.S: Chegando dia dos namorados, tudo é presentes, rosas, dor de cotovelo por não ter um namorado ou namorada. Alguns correndo atrás outros nem ai. Mas enfim, chega o dia que as pessoas se lembram de dar presentes pela importância que uma pessoa tem para a outra. Gostaria de dizer a todos os enamorados ou não o seguinte, uma estória que escutei sobre os encontros que se nos desencontram e nos encantam.
Encontros que desencontram
Alguns anos atrás, antes de estarmos vivendo nesta modernidade, em um povoado distante da civilização um jovem, chamado Tiago, estava louco pois havia perdido seu amor. Disseram que ele saio correndo pelas ruas de sua pequena cidade a procura de seu amor, mas não o encontrou. O amor que existia entre ele e sua amada havia acabado, ela havia dito a ele que não o queria mais, e os dois sabiam que nada ia bem, que não existia a mística de antes, que a vida proporcionaria outros rumos e outros braços para ambos. Mas a verdade corta, magoa, ela dói e queima em nossos corações. Ela tomou a estrada e partiu em busca de um novo amor, de um novo lugar. Ele decidiu ir atrás para reaver seu amor, buscou durante os dias e as noites o seu amor que havia partido, que havia o deixado, nu como uma criança recém nascida. Sua busca foi em vão, nada achou. Teve medo, pois nunca tinha sentido a dor e a solidão no coração, nunca havia se desencontrado de seu amor, de sua fortaleza, de seu ser, a amava desde que se conhecia como gente, como poderia viver sozinho agora? Teve medo e fugiu para longe, pensando que fugia a procura dela, mas no fundo sabia que fugia de si mesmo, do seu medo, andou por dias e noites, passou madrugadas acordado tentando decifrar se os passos que seguia eram de seu amor. Caminhou tanto que mais perdido do que estava ficou. Ficou perdido pois já não sabia onde estava, perdido pois não sabia se ainda existia amor em seu coração. Fugiu para dentro de si, fugiu para longe de todos que conhecia. Cansado caio perto de um vilarejo desconhecido, e ai ficou. Ficou caído até que uma jovem, de cabelos compridos e pretos o recolheu. E cuidou dele. Estava muito cansado, dormiu por dias, perdendo a noção de si. Já não sabia se havia morrido ou se continuava a sua fuga. Ao acordar depois de dias de sono, e de sonhos em que corria atrás do sol e da lua no horizonte, mas nunca conseguia alcança-los, se deparou em um lugar que não conhecia. A jovem, que ao ver ele bom, contou como tinha o achado perguntou como ele viera parar ali naquele fim de mundo. Tiago contou o por que. Ela, que se disse chamar Renata, perguntou por que ele fugirá tanto. Ele falou e contou a ela que assim ele conseguiria encontrar o amor dele, e se encontrar também, pois junto com seu grande amor, ele se fora também. Renata, que morava em lugar distante, mas convivia com pessoas sábias, com uma sabedoria que curava e mostrava caminhos. Disse a ele que as vezes as pessoas não precisam ir longe para se encontrar, basta olhar para dentro dos olhos das outras pessoas que estão por perto para saber onde está, e o que pensa. Nisso ela o olhou bem fundo do olho dentro dele, os olhos dela eram de um preto tão fascinante que brilhava e contava histórias antigas de amor, de dor, de medo e de vida. Dentro do olho dentro dela estava escrito que as pessoas se desencontram por não saberem aonde querem ir, mas basta um passo, basta dar um só passo que já não estaremos no mesmo lugar, já estaremos mudados, um pouco diferentes. Viu também que nem tudo na vida tem explicação, existem coisas que simplesmente acontecem e são do jeito que são, como o amor. Vendo isso Tiago decidiu voltar. Pois já encontrara o que tinha tanto buscado, em uma resposta simples soube que não precisava fugir, que o amor se encontra nele, que o amor que perderá já não era dele. O que podia fazer ela buscar um novo amor, buscar novos braços para abraçar, uma nova boca para beijar. Renata ao ver isso, disse a ele, não precisamos sair para buscar, não precisamos fugir para encontrarmos respostas, precisamos nos desencontrar para nos encontrarmos.mas para o desencontro basta pararmos e olharmos. Olhou para ele e o beijou. Tiago foi embora do vilarejo, voltou para sua casa. Voltou com uma nova alma e um coração novo. Voltou com a certeza de que para se achar basta mirar dentro do olho dentro da pessoa que gosta, que é apaixonado, que ama. Ali dentro do olho dentro daquela pessoa estará escondida a sua alma.
Elisandro Rodrigues Louco, poeta e profeta “Ás vezes nos encontramos nos olhos dos outros.” Junho de 2006
Nossas cegueirasNossas cegueiras
É quase noite. Saio de casa em direção a parada de ônibus. No caminho vou com meus pensamentos confusos sobre a cegueira em que vivemos, sobre de como as pessoas não vêem a maravilha da vida nas coisas simples e pequenas. Tudo é escuridão para as pessoas que não vem, uma escuridão no meio da luz. Chego a parada de ônibus. O ônibus já está saindo. Entro. Pago a passagem. Sento. Penso. Continuo pensando na escuridão e no velamento das pessoas. Pego o livro de minha bolsa. Leio. Nada mais propicio para o momento: Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara. "O disco amarelo iluminou-se. Dois dos automóveis da frente aceleraram antes que o sinal vermelho aparecesse. Na passadeira de peões surgiu o desenho do homem verde. A gente que esperava começou a atravessar a rua pisando as faixas brancas pintadas na capa negra do asfalto, não há nada que menos se pareça com uma zebra, .... O sinal verde acendeu-se enfim, bruscamente os carros arrancaram, mas logo se notou que não tinham arrancado todos por igual. O primeiro da fila do meio está parado, ....o homem que está lá dentro vira a cabeça para eles, a um lado, a outro, vê-se que grita qualquer coisa, pelos movimentos da boca percebe-se que repete um palavra, uma não, duas, assim é realmente, consoante se vai ficar a saber quando alguém, enfim, conseguir abrir uma porta, Estou cego." (Ensaio sobre a Cegueira – José Saramago) Chego à parada na qual tenho que descer. Está muito frio. Um vento que gela até os ossos. Começo a descer na direção que devo seguir. Demoro uns sete minutos no trajeto. Do ônibus ao apartamento. Neste pequeno trajeto continuo o raciocínio que interrompi quando comecei a ler o livro. Como é interessante que todo o dia as pessoas ficam cegas. Umas cegam-se de uma hora para a outra. Outros demoram um pouco mais. Mas no final quase todos ficam cegos. Cegueira de luz e escuridão. Não é uma cegueira que nos impede de ver, é uma cegueira que obscurece as imagens e as verdades. Como é possível as pessoas ficarem cegas de uma hora para a outra. Chego ao apartamento. Aperto o número 403. Lá de cima abrem para eu entrar. Entro. Começo a subir s escadas. Coisa boa está quente aqui. Paro as minhas reflexões quando chego na porta do apartamento. A minha cegueira começa. O raciocínio fica repleto de cheiro de mel e cachaça e a boca ansiosa por um beijo. Cegueira aonde o amor conduz
Elisandro Rodrigues Cego pelas cegueiras do mundo. Julho/05
April 16 Não tá morto quem peleia“Não tá morto quem peleia”
Estava lavando a louça em casa, tranqüilo com meus pensamentos, eles estavam livres voando alto, a imaginar coisas possíveis e impossíveis. Ruah estava sentado, ou diga-se de passagem atirado em um canto, lendo. Quando no meio de muitos pensamentos me lembrei de uma história de quando eu era ‘guri’. Comecei a conta lá a Ruah, ou melhor, comecei a pensar em voz alta: “Quando a gente é guri, guria (menino e menina) a gente é movido por uma energia enorme, corre para lá e para cá, brinca até se acabar. Estava eu lá com meus oito ou nove anos, lá na minha cidadezinha natal chamada Irai, no interior do estado do Rio Grande do Sul. Nesta cidade, eu morava em uma vila, e nesta vila, a gente tinha um campinho de futebol. Eu e meus amigos, principalmente eu, estava jogando com os ‘adultos’, os meninos mais velhos. O campinho era uma coisa só, era metade plano e metade ladeira, o campinho era todo desproporcional, tinha partes com grama, outras sem grama, partes com Lages aparecendo. O campo era cheio de espinhos, era algo muito estranho. Caminhando pelos interiores de nossos estados, até mesmo nas cidades mais urbanas, ainda vemos a ‘gurizadinha’ jogando em uns campinhos semelhantes. Quando a gente é criança, gosta de jogar bola, eu adorava, e lá estava no meio dos mais velhos, levando chutes e mais chutes nas ‘canelas’. O meu time estava perdendo, então movido por uma esperança que poderíamos modificar o resultado comecei a gritar para o meu time: ‘vamos lá, não ta morto quem peleia’. Todo mundo parou e começou a caçoar de mim, por um bom tempo aquela frase foi motivo de risadas para os meus amigos, quando eles queriam me incomodar falavam, ‘lá vem o não ta morto quem peleia’. O nosso time no final acabou perdendo, e isso foi o pior”. Terminei a narração e fiquei parado. Ruah sem tirar os olhos do livro perguntou o por que desta história, o que ela queria dizer. Disse a ele: “sei lá! É uma história, só uma história.” Ruah continuou com a sua leitura, e eu fiquei divagando e lavando o restante da louça. Pensei e pensei. Quando a gente é criança,a gente tem um potencial de duvidar, de acreditar, somos curiosos, acreditamos no possível e no impossível. Por que será que muitos perdem esta capacidade quando se tornam jovens e adultos, a capacidade de acreditar, de sonhar. Me lembrei de uma frase que diz o seguinte, ‘o impossível não é pecado’. É ousar é a palavra mágica, ousar sonhar o impossível.
Elisandro Rodrigues Abril – mês de reflexão e renovação. April 15 Oie meu amor, sobre a esperançaOi meu amor!!! Sobre a Esperança.
Escrevo para te dizer uma coisa: que a minha loucura está se transformando em desespero. Por duas coisas: Desespero por te querer ao meu lado e não te ter, e desespero por não ter mais um referencial político, religioso, social em minha vida. Sinto muito a sua falta. Preciso de você ao meu lado, preciso falar, dialogar com você, preciso do seu colo e do seu carinho. O mundo está caindo ao meu redor, e estou só, sei que não estou só, ou posso não estar, mas quando percebo de verdade, quando abro os olhos no meio da escuridão, estou sozinho. A loucura de viver a vida acabou me levando a questiona-la hoje, será que é possível ser louco assim, do modo de se desprender totalmente de tudo, com a liberdade que Deus nos deu, a liberdade da transcendência, a liberdade de Dizer que “Eu Sou Eu, Sou esta pessoa que se manifesta, que se mostra, que vive, que beija, que descansa, que vive intensamente o hoje e o amanhã, que quer viver fora deste sistema, deste mundo que nos come, que nos engole”. Como disse Nietzsche “torna-te quem tu és”. Mas às vezes percebo que esta loucura, que esta liberdade é algo fictício, algo superficial, uma fuga da realidade que é difícil de se mudar. Desespero...angustia...é o que me resta. Se você me perguntar o por quê, lhe direi, não sei. Por que o mundo é assim, gosta de nos ferir aos poucos e nos ver “morrer” lentamente. Morrer para as coisas bonitas e belas: a cultura, a arte, a musica, a poesia, tudo o que nós faz transcender, tudo o que nos faz ver que é possível mudar o impossível, que podemos transformar a nossa vida e a nossa realidade. Mas a nossa vida tem a tendência de se transformar na infindável caída para o nada...... Infindável vazio. Não vamos para isso por que queremos, vamos para isso por que nos jogam, nos forçam. Por que tem medo da gente, medo dos nossos pensamentos, de nossas atitudes, do que nos tornamos por não se adaptar a realidade que existe. Quero a liberdade desse mundo, quero a liberdade disso tudo! Quero a utopia, mas será que ela chega, o caos e a barbárie estão a solta...precisamos reconstruir, preciso reconstruir, me reorganizar, nos reorganizarmos, nos reconstruirmos ...
P.S: Ruah estava comigo, enquanto escrevia esta carta, no final ele me perguntou para quem enviaria, disse lhe que para meu amor. “Mas que amor?”-perguntou me novamente. Disse para ele, ‘para todos os amores que querem caminhar comigo, lado a lado, para as companheiras e os companheiros’. Perguntei para ele se ele tinha uma resposta para o que escrevia, ele me respondeu o seguinte, puxando seu portunhol: “No creo tener una respuesta .. pero creo que en nuestra conviccion por romper estructuras opresivas y crear posibilidades de liberacion no debemos dejarnos desesperanzar (o sea en medio del trabajo tener la vision (esperanza) de que el cambio es posible). de la unica manera que puede haber cambios, a mi entender, es por medio a la descontruccion de estructuras (como la que mensionaste) pero eso toma mucho tiempo mucha energia mucha trabajo de base pues creo que sabes que estamos enfrentando un monstruo grandeoso e de gran alcance e que para el cambiar de toda esta realidad es necesaria caminar juntos.” Terminado isso ele me entregou um pedaço de papel que continha algumas linhas escritas por Subcomandante Marcos, do EZLN (Exercito Zapatista de Libertação Nacional), que dizia o seguinte: “É muito simples ser um soldado que quer que os soldados não existam mais; basta responder com firmeza ao pedacinho de esperança que os outros – aqueles que não tem nada, aqueles que terão tudo- depositam em cada um de nós. Por eles e por aqueles que partiram durante a caminhada, por esta ou aquela razão, todas elas injustas. Por eles devemos tentar mudar e melhorar um pouco cada dia, cada tarde, cada noite de chuva e grilos. Acumular ódio e amor com paciência. Cultivar a soberba árvore do ódio pelo opressor junto com o amor que combate e liberta.cultivar a imponente árvore do amor que é vento que limpa e cura, não o amor pequeno e egoísta, mas o grande, o que melhora e faz crescer. Cultivar entre nós a árvore do ódio e do amor, a árvore do dever. E nesta tarefa colocar toda a vida, corpo e alma, coragem e ESPERANÇA.”
P.S-2: Poeta, Louco e Profeta...que não morreu, mas está indo para o inferno e voltando de lá. Mas será que temos, que tenho, coragem de ir?
Elisandro Rodrigues Dia chuvoso e cinza de abril
March 27 A “p...” barbárie de nossa realidadeA “puta” barbárie de nossa realidade*
Depois deste domingo o que mais se houve nos meios de comunicação, além da eleição conturbada e confusa do PMDB, é o documentário apresentado pela Rede Globo, no programa do Fantástico. Documentário este que se chama “Falcão: Os meninos do Tráfico”, e que foi produzido pela CUFA (Central Única das Favelas). Um processo de pesquisa que se estendeu durante o ano de 2003, e que também deste trabalho surgiu o livro “Cabeça de Porco”. Este estuário vem de duas fontes, uma pesquisa realizada pelos estados de nosso país, por Celso Athayde, MV Bill e um conjunto de pesquisas e registros etnográficos conduzidos por Luiz Eduardo Soares nos últimos sete anos sobre juventude, violência e polícia.
Pra que serviu este documentário? É o que a mídia e as pessoas estão pensando nestes dias. A massa de intelectuais, políticos, mídia estão refletindo sobre as “imagens fortes” que o documentário apresentou. O que me pergunto é: Será que estas imagens, estas vidas não eram sabidas por todos e todas?
Sem duvida são conhecidas, mas são veladas por todos. É deixado de lado esquecido para não serem pensadas. Esquecemos que há este “mundo” além do nosso. Falo isso, pois muitos de nós (e me incluo dentro deste nós) fingi que conhece a foda realidade que as pessoas das favelas, das comunidades mais carentes vivem. São poucos os que têm um trabalho de base e que estão inseridos neste meio, nesta realidade que foi nos mostrado. Sei e sabemos que não podemos generalizar e que há muitos que trabalham com esta realidade.
Mas quem são estas pessoas? Certamente não somos nós, pequenos burgueses que temos uma vida “pouco” confortável, mas que com certeza é muito, e muito melhor do que das pessoas que moram nas favelas, como as apresentadas pela CUFA e pelo Bill. Mas outra pergunta que surge é porque a Rede Globo exibiu este documentário, não consegui ainda descobrir o por quê.
O que o documentário quer? Como o próprio MV Bill disse, ele não quer nada, só quer fazer as pessoas refletirem sobre a realidade em que muitas pessoas vivem, e estas muitas são a grande maioria. Bill também falou que o documentário quer é repensar o conceito de humanidade, e isto foi um verdadeiro “soco no estomago”, muito mais que as imagens. Pois o que vimos foi, e é, a falta de humanidade? E por que falta humanidade?
Outro “soco no estomago” foi outra frase do Bill que disse “Que Brasil que queremos?”. Disse ele que temos dois Brasil, um este que conhecemos, que tem sua certa parcela de desigualdade e pobreza, que é o que militamos que mais conhecemos, e o outro este que o documentário nos mostra e que vem crescendo, vem crescendo e não nós damos conta. Vem crescendo a DESUMANIZAÇÃO.
O que fazer? Culpa de quem? De Deus? Da História? Do Capitalismo e do Neoliberalismo? Da Igreja? Do Estado? Culpa de quem....de quem é a responsabilidade?
São muitas as perguntas que se passa em nossas cabeças, e nenhuma resposta. Com certeza uma coisa podemos dizer: vivemos em uma grande Barbárie.
P.S: Hoje é dia da luta contra a Discriminação Racial, e o que vimos no documentário foram na sua grande maioria pessoas negras, o que isso significa? Na discussão depois do documentário apresentado no Fantástico quem apareceu? Perguntas, muitas perguntas, muitos porquê.
Sem mais para dizer, fico aqui com minha angustia, com minha puta dor de consciência, com minha falta de humanidade....
Começo do outono de 2006*Elisandro Rodrigues.
Estudante de Pedagogia, pesquisador sobre a “Democratização na Escola: Construção do conhecimento e inclusão”, militante da Pastoral da Juventude, militante do movimento estudantil Kizomba e do Ponto de Cultura Biblioteca Social Mundial.
Coisas que não fazemos.Coisas que não fazemos. Da Esperança e do ProfetismoDa Esperança e do Profetismo Caminhando para a Vocação de homens e mulheres novos e verdadeiros.Caminhando para a Vocação de homens e mulheres novos e verdadeiros. February 28 Uma poesiaCântico Negro Apenas o InícioAPENAS O INÍCIO... |
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