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    June 12

    Confissões para a Lua

    Confissões para a Lua...

     

    “O menina tão linda, tão bela que me conquistou com o brilho do seu olhar” (Netinho)

     

    Estávamos eu e Ruah (meu amigo musaranho) sentados contemplando o brilho da noite e por ventura da Lua cheia. A noite estava com um ar diferente, destes de noite de apaixonados. O céu estava repleto de estrelas com algumas nuvens andando de um lado para outro, horas encobrindo a lua e a deixando de um jeito diferente, pois seu brilho se tornava mais bonito com as nuvens a encobrindo.

    Ruah se lembrou de uma estória que era mais ou menos assim: “Encontrei um rapaz, em uma dessas minhas viagens pelo mundo afora, que me falou que era apaixonado pela Lua, vê se pode, apaixonado pela Lua. Já tinha ouvido falar de pessoas que usam a lua como inspiração poética mas apaixonado de amar, ainda não. Mas ele me falou o seguinte, me explicando o que aconteceu para ele se desapaixonar pela sua musa, assim ele explicou para a lua: ‘Não tem coisa mais bela que você, o Lua...Nas noites faz o meu coração pular mais forte, cada vez que surge no horizonte, fico perdido, completamente louco de paixão. Durante o dia fico só te esperando aparecer mais nítida para contemplar sua beleza. Não importa que esteja minguante, cheia, crescente ou nova, o que me importa e te ver, cantar e falar com você, sentir o prazer de me iluminar com seu brilho eterno de amor.

    Mas hoje, depois de mais de dez anos, não venho cantar para você, ou falar coisas bonitas, queria lhe falar que me inspirasse outro amor. Oh Lua, me fizeste apaixonar por outra Lua..., quando vi o rosto dela banhado pelo seu brilho de lua cheia, meu pobre coração não resistiu, se entregou na hora de corpo e alma a esta outra Lua. Os olhos dela me enfeitiçaram, o brilho que saio deles me enfeitiçou. Por isso lua, nesta noite venho pedir sua benção, nesta noite de poetas e loucos, de lua cheia, peço que pelo nosso amor que existiu, e que sempre vai existir por você, ilumine nossas noites com seu brilho, e que conversa com seu irmão Sol para aquecer nossos dias, e suas amigas estrelas que te ajudem nas noites a encantar, que encantem cada vez mais nossos passos durante esta travessia na noite e no dia.

    Minha lua do céu, peço que não se magoe, mas a Lua...aqui da terra me conquistou, peço que seja nossa guia e alimente este amor que temos.’ Dito isso o rapaz cantou a ultima música para a lua do céu, depois disso passou a cantar e amar a Lua...aqui da terra”.

    Como sempre fiquei pensando nas histórias loucas que Ruah me conta, olhei para a noite. Pensei comigo, a lua hoje deve estar iluminando o amor dela e a Lua...aqui da terra, pois seu brilho esta cada vez mais apaixonante. Ficamos mais um pouco contemplando a noite e o silêncio, pedi a Ruah se a lua não tinha ficado furiosa com a perca do seu amor, Ruah me falou “menino, a lua do céu tem muitos amores e admiradores, e ela sempre fica feliz quando alguém encontra o seu amor, fica feliz quando uma pessoa encontra a lua dentro do olho de outra pessoa”. Fui dormir pensando na lua do céu e na Lua... da terra.

     

     

    Elisandro Rodrigues

    Louco, poeta e profeta.

    Dia dos apaixonados e dos namorados.

    12 de junho de 2006 – dia frio ótimo para passar com o amor e a paixão.

    Encontros que desencontram

    P.S: Chegando dia dos namorados, tudo é presentes, rosas, dor de cotovelo por não ter um namorado ou namorada. Alguns correndo atrás outros nem ai. Mas enfim, chega o dia que as pessoas se lembram de dar presentes pela importância que uma pessoa tem para a outra. Gostaria de dizer a todos os enamorados ou não o seguinte, uma estória que escutei sobre os encontros que se nos desencontram e nos encantam.

     

    Encontros que desencontram

     

                Alguns anos atrás, antes de estarmos vivendo nesta modernidade, em um povoado distante da civilização um jovem, chamado Tiago, estava louco pois havia perdido seu amor. Disseram que ele saio correndo pelas ruas de sua pequena cidade a procura de seu amor, mas não o encontrou. O amor que existia entre ele e sua amada havia acabado, ela havia dito a ele que não o queria mais, e os dois sabiam que nada ia bem, que não existia a mística de antes, que a vida proporcionaria outros rumos e outros braços para ambos. Mas a verdade corta, magoa, ela dói e queima em nossos corações. Ela tomou a estrada e partiu em busca de um novo amor, de um novo lugar. Ele decidiu ir atrás para reaver seu amor,  buscou durante os dias e as noites o seu amor que havia partido, que havia o deixado, nu como uma criança recém nascida. Sua busca foi em vão, nada achou. Teve medo, pois nunca tinha sentido a dor e a solidão no coração, nunca havia se desencontrado de seu amor, de sua fortaleza, de seu ser, a amava desde que se conhecia como gente, como poderia viver sozinho agora?

                Teve medo e fugiu para longe, pensando que fugia a procura dela, mas no fundo sabia que fugia de si mesmo, do seu medo, andou por dias e noites, passou madrugadas acordado tentando decifrar se os passos que seguia eram de seu amor. Caminhou tanto que mais perdido do que estava ficou. Ficou perdido pois já não sabia onde estava, perdido pois não sabia se ainda existia amor em seu coração. Fugiu para dentro de si, fugiu para longe de todos que conhecia. Cansado caio perto de um vilarejo desconhecido, e ai ficou. Ficou caído até que uma jovem, de cabelos compridos e pretos o recolheu.

    E cuidou dele. Estava muito cansado, dormiu por dias, perdendo a noção de si. Já não sabia se havia morrido ou se continuava a sua fuga. Ao acordar depois de dias de sono, e de sonhos em que corria atrás do sol e da lua no horizonte, mas nunca conseguia alcança-los, se deparou em um lugar que não conhecia. A jovem, que ao ver ele bom, contou como tinha o achado perguntou como ele viera parar ali naquele fim de mundo. Tiago contou o por que. Ela, que se disse chamar Renata, perguntou por que ele fugirá tanto. Ele falou e contou a ela que assim ele conseguiria encontrar o amor dele, e se encontrar também, pois junto com seu grande amor, ele se fora também.

                Renata, que morava em lugar distante, mas convivia com pessoas sábias, com uma sabedoria que curava e mostrava caminhos. Disse a ele que as vezes as pessoas não precisam ir longe para se encontrar, basta olhar para dentro dos olhos das outras pessoas que estão por perto para saber onde está, e o que pensa. Nisso ela o olhou bem fundo do olho dentro dele, os olhos dela eram de um preto tão fascinante que brilhava e contava histórias antigas de amor, de dor, de medo e de vida.

                Dentro do olho dentro dela estava escrito que as pessoas se desencontram por não saberem aonde querem ir, mas basta um passo, basta dar um só passo que já não estaremos no mesmo lugar, já estaremos mudados, um pouco diferentes. Viu também que nem tudo na vida tem explicação, existem coisas que simplesmente acontecem e são do jeito que são, como o amor. Vendo isso Tiago decidiu voltar. Pois já encontrara o que tinha tanto buscado, em uma resposta simples soube que não precisava fugir, que o amor se encontra nele, que o amor que perderá já não era dele. O que podia fazer ela buscar um novo amor, buscar novos braços para abraçar, uma nova boca para beijar.

                Renata ao ver isso, disse a ele, não precisamos sair para buscar, não precisamos fugir para encontrarmos respostas, precisamos nos desencontrar para nos encontrarmos.mas para o desencontro basta pararmos e olharmos. Olhou para ele e o beijou. Tiago foi embora do vilarejo, voltou para sua casa. Voltou com uma nova alma e um coração novo. Voltou com a certeza de que para se achar basta mirar dentro do olho dentro da pessoa que gosta, que é apaixonado, que ama. Ali dentro do olho dentro daquela pessoa estará escondida a sua alma.

     

               

     

    Elisandro Rodrigues

    Louco, poeta e profeta

                “Ás vezes nos encontramos nos olhos dos outros.”

    Junho de 2006

               

    Nossas cegueiras

    Nossas cegueiras

     

    É quase noite. Saio de casa em direção a parada de ônibus.

    No caminho vou com meus pensamentos confusos sobre a cegueira em que vivemos, sobre de como as pessoas não vêem a maravilha da vida nas coisas simples e pequenas. Tudo é escuridão para as pessoas que não vem, uma escuridão no meio da luz.

    Chego a parada de ônibus. O ônibus já está saindo. Entro. Pago a passagem. Sento. Penso. Continuo pensando na escuridão e no velamento das pessoas. Pego o livro de minha bolsa. Leio. Nada mais propicio para o momento: Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara. "O disco amarelo iluminou-se.

    Dois dos automóveis da frente aceleraram antes que o sinal vermelho aparecesse. Na passadeira de peões surgiu o desenho do homem verde. A gente que esperava começou a atravessar a rua pisando as faixas brancas pintadas na capa negra do asfalto, não há nada que menos se pareça com uma zebra, .... O sinal verde acendeu-se enfim, bruscamente os carros arrancaram, mas logo se notou que não tinham arrancado todos por igual. O primeiro da fila do meio está parado, ....o homem que está lá dentro vira a cabeça para eles, a um lado, a outro, vê-se que grita qualquer coisa, pelos movimentos da boca percebe-se que repete um palavra, uma não, duas, assim é realmente, consoante se vai ficar a saber quando alguém, enfim, conseguir abrir uma porta, Estou cego."

    (Ensaio sobre a Cegueira – José Saramago)

    Chego à parada na qual tenho que descer. Está muito frio. Um vento que gela até os ossos. Começo a descer na direção que devo seguir. Demoro uns sete minutos no trajeto. Do ônibus ao apartamento. Neste pequeno trajeto continuo o raciocínio que interrompi quando comecei a ler o livro. Como é interessante que todo o dia as pessoas ficam cegas. Umas cegam-se de uma hora para a outra. Outros demoram um pouco mais. Mas no final quase todos ficam cegos. Cegueira de luz e escuridão. Não é uma cegueira que nos impede de ver, é uma cegueira que obscurece as imagens e as verdades.

    Como é possível as pessoas ficarem cegas de uma hora para a outra. Chego ao apartamento. Aperto o número 403. Lá de cima abrem para eu entrar. Entro. Começo a subir s escadas. Coisa boa está quente aqui. Paro as minhas reflexões quando chego na porta do apartamento. A minha cegueira começa. O raciocínio fica repleto de cheiro de mel e cachaça e a boca ansiosa por um beijo.

    Cegueira aonde o amor conduz

     

     

    Elisandro Rodrigues

    Cego pelas cegueiras do mundo.

    Julho/05

     

    April 16

    Não tá morto quem peleia

    “Não tá morto quem peleia”

     

    Estava lavando a louça em casa, tranqüilo com meus pensamentos, eles estavam livres voando alto, a imaginar coisas possíveis e impossíveis. Ruah estava sentado, ou diga-se de passagem atirado em um canto, lendo. Quando no meio de muitos pensamentos me lembrei de uma história de quando eu era ‘guri’.

    Comecei a conta lá a Ruah, ou melhor, comecei a pensar em voz alta: “Quando a gente é guri, guria (menino e menina) a gente é movido por uma energia enorme, corre para lá e para cá, brinca até se acabar. Estava eu lá com meus oito ou nove anos, lá na minha cidadezinha natal chamada Irai, no interior do estado do Rio Grande do Sul.

    Nesta cidade, eu morava em uma vila, e nesta vila, a gente tinha um campinho de futebol. Eu e meus amigos, principalmente eu, estava jogando com os ‘adultos’, os meninos mais velhos. O campinho era uma coisa só, era metade plano e metade ladeira, o campinho era todo desproporcional, tinha partes com grama, outras sem grama, partes com Lages aparecendo. O campo era cheio de espinhos, era algo muito estranho. Caminhando pelos interiores de nossos estados, até mesmo nas cidades mais urbanas, ainda vemos a ‘gurizadinha’ jogando em uns campinhos semelhantes.

    Quando a gente é criança, gosta de jogar bola, eu adorava, e lá estava no meio dos mais velhos, levando chutes e mais chutes nas ‘canelas’. O meu time estava perdendo, então movido por uma esperança que poderíamos modificar o resultado comecei a gritar para o meu time: ‘vamos lá, não ta morto quem peleia’. Todo mundo parou e começou a caçoar de mim, por um bom tempo aquela frase foi motivo de risadas para os meus amigos, quando eles queriam me incomodar falavam, ‘lá vem o não ta morto quem peleia’.

    O nosso time no final acabou perdendo, e isso foi o pior”.

    Terminei a narração e fiquei parado. Ruah sem tirar os olhos do livro perguntou o por que desta história, o que ela queria dizer. Disse a ele: “sei lá! É uma história, só uma história.” Ruah continuou com a sua leitura, e eu fiquei divagando e lavando o restante da louça.

    Pensei e pensei. Quando a gente é criança,a gente tem um potencial de duvidar, de acreditar, somos curiosos, acreditamos no possível e no impossível. Por que será que muitos perdem esta capacidade quando se tornam jovens e adultos, a capacidade de acreditar, de sonhar.

    Me lembrei de uma frase que diz o seguinte, ‘o impossível não é pecado’. É ousar é a palavra mágica, ousar sonhar o impossível.

     

     

    Elisandro Rodrigues

    Abril – mês de reflexão e renovação.

    April 15

    Oie meu amor, sobre a esperança

    Oi meu amor!!!

    Sobre a Esperança.

     

    Escrevo para te dizer uma coisa: que a minha loucura está se transformando em desespero. Por duas coisas: Desespero por te querer ao meu lado e não te ter, e desespero por não ter mais um referencial político, religioso, social em minha vida.

    Sinto muito a sua falta. Preciso de você ao meu lado, preciso falar, dialogar com você, preciso do seu colo e do seu carinho.

    O mundo está caindo ao meu redor, e estou só, sei que não estou só, ou posso não estar, mas quando percebo de verdade, quando abro os olhos no meio da escuridão, estou sozinho.

    A loucura de viver a vida acabou me levando a questiona-la hoje, será que é possível ser louco assim, do modo de se desprender totalmente de tudo, com a liberdade que Deus nos deu, a liberdade da transcendência, a liberdade de Dizer que “Eu Sou Eu, Sou esta pessoa que se manifesta, que se mostra, que vive, que beija, que descansa, que vive intensamente o hoje e o amanhã, que quer viver fora deste sistema, deste mundo que nos come, que nos engole”. Como disse Nietzsche “torna-te quem tu és”. Mas às vezes percebo que esta loucura, que esta liberdade é algo fictício, algo superficial, uma fuga da realidade que é difícil de se mudar.

    Desespero...angustia...é o que me resta.

    Se você me perguntar o por quê, lhe direi, não sei. Por que o mundo é assim, gosta de nos ferir aos poucos e nos ver “morrer” lentamente.

    Morrer para as coisas bonitas e belas: a cultura, a arte, a musica, a poesia, tudo o que nós faz transcender, tudo o que nos faz ver que é possível mudar o impossível, que podemos transformar a nossa vida e a nossa realidade.

    Mas a nossa vida tem a tendência de se transformar na infindável caída para o nada......

    Infindável vazio. Não vamos para isso por que queremos, vamos para isso por que nos jogam, nos forçam. Por que tem medo da gente, medo dos nossos pensamentos, de nossas atitudes, do que nos tornamos por não se adaptar a realidade que existe. Quero a liberdade desse mundo, quero a liberdade disso tudo!

    Quero a utopia, mas será que ela chega, o caos e a barbárie estão a solta...precisamos reconstruir, preciso reconstruir, me reorganizar, nos reorganizarmos, nos reconstruirmos ...

     

    P.S: Ruah estava comigo, enquanto escrevia esta carta, no final ele me perguntou para quem enviaria, disse lhe que para meu amor. “Mas que amor?”-perguntou me novamente. Disse para ele, ‘para todos os amores que querem caminhar comigo, lado a lado, para as companheiras e os companheiros’. Perguntei para ele se ele tinha uma resposta para o que escrevia, ele me respondeu o seguinte, puxando seu portunhol:

    “No creo tener una respuesta .. pero creo que en nuestra conviccion por romper estructuras opresivas y crear posibilidades de liberacion no debemos dejarnos desesperanzar (o sea en medio del trabajo tener la vision (esperanza) de que el cambio es posible). de la unica manera que puede haber cambios, a mi entender, es por medio a la descontruccion de estructuras (como la que mensionaste) pero eso toma mucho tiempo mucha energia mucha trabajo de base pues creo que sabes que estamos enfrentando un monstruo grandeoso e de gran alcance e que para el cambiar de toda esta realidad es necesaria caminar juntos.”

    Terminado isso ele me entregou um pedaço de papel que continha algumas linhas escritas por Subcomandante Marcos, do EZLN (Exercito Zapatista de Libertação Nacional), que dizia o seguinte:

    “É muito simples ser um soldado que quer que os soldados não existam mais; basta responder com firmeza ao pedacinho de esperança que os outros – aqueles que não tem nada, aqueles que terão tudo- depositam em cada um de nós. Por eles e por aqueles que partiram durante a caminhada, por esta ou aquela razão, todas elas injustas. Por eles devemos tentar mudar e melhorar um pouco cada dia, cada tarde, cada noite de chuva e grilos. Acumular ódio e amor com paciência. Cultivar a soberba árvore do ódio pelo opressor junto com o amor que combate e liberta.cultivar a imponente árvore do amor que é vento que limpa e cura, não o amor pequeno e egoísta, mas o grande, o que melhora e faz crescer. Cultivar entre nós a árvore do ódio e do amor, a árvore do dever. E nesta tarefa colocar toda a vida, corpo e alma, coragem e ESPERANÇA.”

     

     

     

    P.S-2: Poeta, Louco e Profeta...que não morreu, mas está indo para o inferno e voltando de lá. Mas será que temos, que tenho, coragem de ir?

     

     

    Elisandro Rodrigues

    Dia chuvoso e cinza de abril

     

     

    March 27

    A “p...” barbárie de nossa realidade

    A “puta” barbárie de nossa realidade*
     
     
     
    Depois deste domingo o que mais se houve nos meios de comunicação, além da eleição conturbada e confusa do PMDB, é o documentário apresentado pela Rede Globo, no programa do Fantástico. Documentário este que se chama “Falcão: Os meninos do Tráfico”, e que foi produzido pela CUFA (Central Única das Favelas). Um processo de pesquisa que se estendeu durante o ano de 2003, e que também deste trabalho surgiu o livro “Cabeça de Porco”. Este estuário vem de duas fontes, uma pesquisa realizada pelos estados de nosso país, por Celso Athayde, MV Bill e um conjunto de pesquisas e registros etnográficos conduzidos por Luiz Eduardo Soares nos últimos sete anos sobre juventude, violência e polícia.
    Pra que serviu este documentário? É o que a mídia e as pessoas estão pensando nestes dias. A massa de intelectuais, políticos, mídia estão refletindo sobre as “imagens fortes” que o documentário apresentou. O que me pergunto é: Será que estas imagens, estas vidas não eram sabidas por todos e todas?
    Sem duvida são conhecidas, mas são veladas por todos. É deixado de lado esquecido para não serem pensadas. Esquecemos que há este “mundo” além do nosso. Falo isso, pois muitos de nós (e me incluo dentro deste nós) fingi que conhece a foda realidade que as pessoas das favelas, das comunidades mais carentes vivem. São poucos os que têm um trabalho de base e que estão inseridos neste meio, nesta realidade que foi nos mostrado. Sei e sabemos que não podemos generalizar e que há muitos que trabalham com esta realidade.
    Mas quem são estas pessoas? Certamente não somos nós, pequenos burgueses que temos uma vida “pouco” confortável, mas que com certeza é muito, e muito melhor do que das pessoas que moram nas favelas, como as apresentadas pela CUFA e pelo Bill. Mas outra pergunta que surge é porque a Rede Globo exibiu este documentário, não consegui ainda descobrir o por quê.
    O que o documentário quer? Como o próprio MV Bill disse, ele não quer nada, só quer fazer as pessoas refletirem sobre a realidade em que muitas pessoas vivem, e estas muitas são a grande maioria. Bill também falou que o documentário quer é repensar o conceito de humanidade, e isto foi um verdadeiro “soco no estomago”, muito mais que as imagens. Pois o que vimos foi, e é, a falta de humanidade? E por que falta humanidade?
    Outro “soco no estomago” foi outra frase do Bill que disse “Que Brasil que queremos?”. Disse ele que temos dois Brasil, um este que conhecemos, que tem sua certa parcela de desigualdade e pobreza, que é o que militamos que mais conhecemos, e o outro este que o documentário nos mostra e que vem crescendo, vem crescendo e não nós damos conta. Vem crescendo a DESUMANIZAÇÃO.
    O que fazer? Culpa de quem? De Deus? Da História? Do Capitalismo e do Neoliberalismo? Da Igreja? Do Estado? Culpa de quem....de quem é a responsabilidade?
    São muitas as perguntas que se passa em nossas cabeças, e nenhuma resposta. Com certeza uma coisa podemos dizer: vivemos em uma grande Barbárie.
     
     
    P.S: Hoje é dia da luta contra a Discriminação Racial, e o que vimos no documentário foram na sua grande maioria pessoas negras, o que isso significa? Na discussão depois do documentário apresentado no Fantástico quem apareceu? Perguntas, muitas perguntas, muitos porquê.
    Sem mais para dizer, fico aqui com minha angustia, com minha puta dor de consciência, com minha falta de humanidade....

    Começo do outono de 2006

     
    *Elisandro Rodrigues.
    Estudante de Pedagogia, pesquisador sobre a “Democratização na Escola: Construção do conhecimento e inclusão”, militante da Pastoral da Juventude, militante  do movimento estudantil Kizomba e do Ponto de Cultura Biblioteca Social Mundial.
     


     

    Coisas que não fazemos.

    Coisas que não fazemos.
    - Meu Deus, o que será que tem nesses olhos teus. O que será que tem para me enfeitiçar? - eno
    - Você não sabe? Meus olhos refletem os seus, buscam os seus, decifram os seus... – e..
    - Então sejamos como o vento nas flores... - eno
    - Sim, sejamos livres como o vento...- e...
    - Então vem me beijar de uma vez, você pensa demais para decidir, vem e abre seu coração para o meu, sua boca para a minha...- eno
    - Não demoras tu a chegar, se não eu desisto...- e...
    (dialogo de dois apaixonados)
    .
    Sabe de uma coisa pessoas, é difícil mesmo achar uma pessoa com quem podemos desfrutar totalmente do amor e da vida. E são vários os motivos que impedem um amor de encontrar o outro. São empecilhos como a falta de tempo para sair caminhando sem rumo até nos batermos por acaso com o desconhecido; a cultura do prazer erotizado; a falta de dialogo entre as pessoas, de partilha, de procura. São muitos, infindáveis motivos para não se encontrar a pessoa certa para construir um relacionamento maduro , produtivo e prazeroso.
    Mas quando pensamos que encontramos esta pessoa, não podemos largar logo na primeira dificuldade, persistência é a palavra chave do processo. E o processo não é fácil, é lento e doloroso, mas gostoso de trilhar com quem nos alegra e anima o passo.
    Quando encontramos a pessoa que estávamos a procurar durante dias e anos, temos que ter bem claro que é preciso propiciar alguns procedimentos para o bom andamento deste relacionamento. O primeiro é o dialogo, sem ele nada anda, nada se constrói. A fonte do amor esta na conversa, seja ela produtiva ou não, mas tem que haver. O que adianta termos uma pessoa só para beijar se não podemos partilhar com ela nossas idéias, duvidas e loucuras? Dialogar é ser companheiro.
    O segundo é a cumplicidade. É o dialogo que levará a isso, a ser cúmplice um do outro, a não esconder nada, falar o que se sente e o que se espera, o que se quer e o que não ser quer. Ser cúmplice é ser amigo.
    A sinceridade é outro fator importante, que vem do processo do dialogo e da cumplicidade. Ser sincero é expressar a verdade dos pensamentos, é ser anjo para a outra pessoa. Anjos nos trazem o bem, amores também.
    E por fim, o prazer. Mas não prazer ligado simplesmente à sexo, prazer de gostar, de amar, de gritar, de curtir, de beijar, de viver, de se doar, dedicar. Prazer de amante, de correr riscos pelo que se quer, pelo que sonhamos. Prazer de tesão pelo que fazemos.
    São estas algumas das poucas que coisas que não fazemos e que devíamos fazer para nos dedicarmos de coração e mente a quem amamos. Simples pontos que não nos damos conta nesta agitada vida de consumo e individualismo. Por que não pararmos e pensarmos um pouco em como estamos caminhando com o nosso amor pelo outro, pela outra.
    Sabem até o vento às vezes para, pensa, reflete e depois segue o seu caminho.
    Por que não fazer isso também!
    Meu olhar busca os sonhos, a poesia e o amor.
    Busca isso nas terras e nas imagens mais distantes possíveis, aonde só o vento chega. Em um mundo onde só existe beleza e paixão. Onde só existe prazer. É um mundo distante para muitos, mas perto para outros, perto para os apaixonados e distante para os que não desfrutam da vida e do amor com total desprendimento.
    Elisandro Rodrigues
    Louco, poeta e profeta

    Da Esperança e do Profetismo

    Da Esperança e do Profetismo

    Amigas e Amigos!

    P.S: Depois de alguns bons dias sem lhes dirigir uma palavras, tento soltar o verbo novamente. Espero chegar a vocês em bons dias, apesar do frio aqui no sul, espero que todas e todos se encontrem bem. Escrevo depois de algum tempo, e tento escrever diferente, com um novo paradigma, só tento também, mas vamos ver no que dá...

    ...do frio de Porto Alegre...tentando escrever....Elisandro Rodrigues!

    Poderia hoje, aproveitando o clima frio do Estado do Rio Grande do Sul, escrever sobre amor que aquece e que queima os corações. Poderia escrever sobre a Educação em Paulo Freire ou sobre o processo de Educação na fé da Pastoral da Juventude. Poderia até escrever sobre o “atentado terrorista” que aconteceu em Lomdres. Por que não escrever sobre a reunião do G-8 na Escócia e de toda as manifestações que a juventude está fazendo. Ou quem sabe escreva sobre o que mais se vê na mídia nas ultimas semanas, a crise no governo Lula, o mensalão e a corrupção. Mas venho escrever a vocês sobre um fato que não está na mídia e poucos conhecem. Queria lhes falar de profetismo e esperança.
    Para escrever sobre isso, gostaria de lhes contar uma coisa: um amigo meu, Leon é o nome dele (é um cara legal, sonhador, lutador, utópico e amante da vida e do mundo), me contou uma coisa que não sabia, falou que existe um país onde há um grupo que se intitula o exercito de sonhadores.
    Fiquei muito interessado nesta história, ele me falou o seguinte: “somos um exercito de sonhadores, por isso somos invencíveis; como não ganhar com esta imaginação?! (...) não podemos perder ou, melhor dizendo, não merecemos perder.” Disse ele, que esta frase é de Marcos. Fiquei pensando que Marcos? Depois de uns segundos de silencio ele me explicou melhor.
    - É do subcomandante Marcos, do Exercito Nacional Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) do México. Esta frase ele escreveu uma vez para o Eduardo Galeano explicando o por que deles lutarem, e de não desistirem.
    Não sabia que ainda existia o EZLN, e que luta ainda contra a opressão que o governo faz contra os índios mexicanos da região de Chiapas e de todo o México. Fiquei encantado durante a prosa que tive com meu amigo. Fiquei mais surpreso ainda de eu, que me digo uma pessoa meio-esquerda e meio-intelectual, não saber de uma atuação de um povo que luta, unido, pela sua libertação e pela sua soberania.
    Por isso que hoje digo a vocês que lêem estas palavras: ainda existe a esperança de um mundo novo. Mas para isso, é necessário que haja profetismo. Profetismo que é denuncia da exploração, da corrupção, da miséria, do empobrecimento, da morte....
    Só há esperança se houver luta, luta unida, luta por um ideal que está no horizonte, da construção de uma nova sociedade. Subcomandante Marcos, segundo meu amigo Leon, falou o seguinte: Nós, os zapatistas, queremos para todos tudo, para nós nada. Todos os que com arma ou sem arma, com rosto ou sem rosto, indígena ou não indígena tomam para si nosso sonho de um pais melhor, são zapatistas.
    Profético e esperançoso.

    P.S: quem sabe não tomamos o exemplo deste povo e fazemos o mesmo contra o que esta ocorrendo aqui me nosso país.

    ...O Elisandro esperançoso com a luta de um povo que se acha apático, refletindo se é mesmo meio-esquerda e meio-intelectual.
    PoA /Frio/Julho de 2005.

    Caminhando para a Vocação de homens e mulheres novos e verdadeiros.

    Caminhando para a Vocação de homens e mulheres novos e verdadeiros.


    P.S para aqueles que preferem a esquerda por vocação ....e por história.

    Crise do governo. Crise do Partido dos Trabalhadores. Mensalão. Corrupção.
    Estes são temas que a mídia não desperdiça forças. Esta com tudo, qualquer noticia é “a noticia”. Será? O que a mídia, à direita querem explorando tanto estes fatos?
    Será que a sociedade, o povo, sabe o que está ocorrendo mesmo: Quais são as forças que estão presentes? O que querem com tantos casos e escândalos? O por que de mostrarem e abordarem esse tema em todos os noticiários de TV e no jornal escrito? Algo está submerso, escondido, velado. Coisa que não mostram nos noticiários e nos jornais.
    Por que não mostram?

    Não tenho respostas, até por que não estou interessado no que a grande mídia está dizendo por ai. Estou interessado no que o Velho João me falou dia desses: “sou mais esquerda, por vocação e por história. Para se ser esquerda não é simplesmente dizer da boca para fora. Para ser esquerda tem que ter coração de esquerda. Tem que ter vocação. Vocação não é algo que nasce do dia para a noite, é algo que nasce com a gente, que nasce e que cresce, e sem mais nem menos descobrimos que somos e pronto, e começamos a agir conforme a vocação manda. E ela se dará se manifestará na história, na luta, nas ações do cotidiano, na construção de uma sociedade mais justa, mais fraterna, mais igualitária. Isso é ser esquerda.”
    Não me importo com o que a mídia anda dizendo, quero é escutar o que o seu João, a dona Maria, o seu Pedro, a Sofia, seu Raul. Importa-me o que o povo, aquele que detêm a esperança diz. Acredito que é a voz destas pessoas que nos impulsionam para continuarmos subindo e descendo, por muitos e outros caminhos, das favelas, do meio da vila, até o coração de todas e todos. Essa é a verdade que não pode ser ocultada, por que é a verdade de todas e todos que, encontram uma janela na palavra, no verbo, na luta, na vocação de homens e mulheres verdadeiros.
    Importo sim, com o sofrimento do povo. Com a mudança e a transformação da sociedade. Com a voz, com o grito de milhares de pessoas que pedem pão e água. Importo-me com o outro e com a outra. E segundo o Velho João, isso é ser esquerda.

    P.S fico por aqui bombardeado de informações que a mídia nos lança, mas crente que a mudança não vem da fronde da árvore, mas da semeadura.

    Elisandro Rodrigues....

    ...caminhando rumo a construção de uma sociedade mais igualitária, lutando por Liberdade, Democracia e Justiça.
    Julho de 2005. Hoje não está tão frio, tem um sol que aquece e queima, como a voz do povo.

    February 28

    Uma poesia

    Cântico Negro

    José Régio



    'Vem por aqui» - dizem-me alguns com olhos doces,

    Estendendo-me os braços, e seguros

    De que seria bom que eu os ouvisse

    Quando me dizem: «vem por aqui»!

    Eu olho-os com olhos lassos,

    (Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)

    E cruzo os braços,

    E nunca vou por ali...



    A minha glória é esta:

    Criar desumanidade!

    Não acompanhar ninguém.



    Que eu vivo com o mesmo sem-vontade

    Com que rasguei o ventre a minha Mãe.



    Não, não vou por ai! Só vou por onde Me levam meus próprios passos...



    Se ao que busco saber nenhum de vós responde,

    Por que me repetis: «vem por aqui»?

    Prefiro escorregar nos becos lamacentos,

    Redemoinhar aos ventos,

    Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,

    A ir por aí...



    Se vim ao mundo, fdi

    Só para desflorar florestas virgens,

    E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada! O mais que faço não vale nada.



    Como, pois, sereis vós

    Que me dareis impulsos, ferramentas, e coragem

    Para eu derrubar os meus obstáculos?...

    Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,

    E vós amais o que é fácil!

    Eu amo o Longe e a Miragem,

    Amo os abismos, as torrentes, os desertos...



    Ide! tendes estradas,

    Tendes jardins, tendes canteiros,

    Tendes pátrias, tendes tectos,

    E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.

    Eu tenho a minha Loucura!

    Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,

    E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...



    Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.

    Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;

    Mas eu, que nunca principio nem acabo,

    Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.



    Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!

    Ninguém me peça definições!

    Ninguém me diga: <(vem por aqui»!

    A minha vida é um vendaval que se soltou.

    É uma onda que se alevantou.

    É um átomo a mais que se animou...

    Não sei por onde vou,

    Não sei para onde vou,

    - Sei que não vou por aí!

    _________________________________________

    ANTOLOGIA POÉTICA

    José Régio - Edições Quasi - Lisboa - Portugal - 2001

    Apenas o Início

    APENAS O INÍCIO...

    Começo simples. Um lápis, uma folha em branco. Algumas idéias na mente. Sentado em um lugar agradável para escrever, na beira de um lago - não é bem um lago, é um banhado, com muito verde por cima da pouca água que existe.
    Os pássaros, que por ventura são símbolos da liberdade, estão a cantar. São pássaros de varais espécies. Marequinhas acham comida na planície. Sabiás descansam nos galhos secos. As garças estão sentadas em bando, como é de costume delas. É um lugar bonito e que traz uma sensação de paz e de descanso.
    Para ajudar o vento sopra fraco, prenunciando a chuva que está por cair. É, dia agradável para começar.
    De onde estou vejo crianças a brincar. Uma andam de balanço. Outras dessem de escorregador. Umas se sujam na terra, e algumas correm umas atrás das outras.
    Neste momento chegam cinco meninas perto de mim para olhar o banhado. Chegam mais logo se vão. Mas antes me avisam que tem um 'bicho' na minha camiseta. É uma abelha. É primavera ainda, e perto de mim te uma árvore florida. Dou uma olhada para ver onde as crianças estão e as encontros mais a frente tentando descer e chegar mais perto do banhado.
    Por que começar hoje?
    Não sei. Mas sei que é um bom dia.
    Começarei hoje uma coisa que há tempos comecei. Escrever. Mas hoje escrevo diferente, quero escrever para você lerem. Hoje escrevo não só para mim. Por mais que escrever seja o ato de um individuo só, e o ato de ler também o seja. É ainda uma forma de comunicação entre duas pessoas, assim não se torna algo isolado, mas as palavras nos mostram o amor, a felicidade as alegrias e os sonhos.
    Hoje começo a escrever para os outros. Não espero que eu seja 100% compreendido no que escreverei, ou que seja lido por uma multidão de pessoas. Mas percebo que o simples ato de começar já se torna importante e histórico. Pois é um ato de coragem, de loucura, de teimosia.
    Bom como todo escritor, pensou eu, tem algumas pessoas em quem se basea, eu primeiramente me deixo conduzir por três pessoas, ou por três exemplos.
    A primeira pessoa é o meu formador, que tive na época de seminário, o nome dele é Paulo. Ele sempre me dizia, "o papel aceita tudo". Por isso que coloco nele todas as loucuras que sinto e vejo pelo mundo, pensei eu, se o papel aceita tudo, deve aceitar uma letra horrível minha, mas que tem vida na sua escrita.
    A segunda pessoa é um contista e cronista, Marcelino Freire, conheço pouco ele, e o que ele escreveu, mas ele escreve com amor, e escreve coisas do cotidiano, sobre as alegrias e tristezas do nosso dia a dia. Ele nos diz que "precisamos expressar o que vemos e ouvimos, este cotidiano fútil, e as vezes inútil, mas que sempre tem uma lição de vida a nos dar..."
    E por fim a ultima pessoa, que escreve muito bem, com paixão e amor, é um grande mestre na arte de amar e escrever, um místico da poesia e da prosa. Ele nos ensina a escrever com todo o amor que temos, com nossa alegria e felicidade, ensina a brincar com nossos sonhos e nos leva a descobrir maravilhas. Um homem que transforma as palavras em pão e mel, em poesia.
    Esta figura é Rubem Alves.
    O inicio então já foi dado...
    O balde foi chutado...
    A ordem foi quebrada...
    Mas esperem, a chuva fina começa a cair, e é só o inicio.....


    Elisandro Rodrigues

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